quarta-feira, 27 de março de 2019

Criptoestatal - Como o estato pode aumentar sua eficiência


Criptomoedas surgiram inicialmente com a ideia de descentralizar, de tirar do estado o monopólio que por muito tempo esteve nas mãos deste de emitir e controlar a moeda corrente. Graças à blockchain e à descentralização, o monopólio que outrora parecia inabalável ruiu e agora não mais qualquer um pode usar moedas privadas como também podem criar suas próprias - alguns clubes de futebol brasileiros, inclusive, aderiram às criptomoedas e estão desenvolvendo projetos baseados na tecnologia.

Quando o Bitcoin surgiu em 2009 foi um marco não só para os primórdios de uma tecnologia disruptiva que posteriormente moldaria a visão que tínhamos de dinheiro, mas também como um ato de anarquia que após compreendido era o mesmo que tomar a red pill do Matrix. 

Alguém que compreende ao menos a superfície de como funciona o sistema bancário atual sabe que a principal arma de controle e censura que o estado dispõe é justamente a moeda e que tirar essa arma dele é a única forma de levar à frente a bandeira da liberdade.

Dont Tread on me

A natureza descentralizada de moedas digitais como o Bitcoin - apontada por muitos como a desvantagem da moeda - é justamente o que a torna inabalável por qualquer um que tentar pará-la. Não há como censurar quem usa o Bitcoin e muito menos impor regulamentações e limitações como acontece com a moeda fiat. Os governos sabem disso e como medida estão, à princípio, dando pequenos passos para entrarem na vanguarda do cenário cada vez mais concreto da digitalização do dinheiro. 

Vários economistas conceituados já apoiaram abertamente a criação de uma criptomoeda do Banco Central (BC) de modo a tornar o sistema como um todo mais eficiente. Semelhante ao que aconteceu na Venezuela com a Petro, o mesmo possivelmente pode começar a acontecer em outros países e isso é um grande motivo para se preocupar. Eis dois bons motivos. 

PRIVACIDADE (BIG BROTHER IS WATCHING YOU)
Muitos dos que ao longo dos 10 anos do Bitcoin criticaram a moeda digital usaram essencialmente como argumento o fato dela ser até certo ponto irrastreável e com isso um prato cheio para criminosos. Como todo argumento vindo de estatistas, está errado! O Bitcoin não pode ser usado para lavagem de dinheiro, como todo estatista fala. As notas físicas, até certo ponto, são muito mais irrastreáveis e não é por menos que é a forma preferida de políticos receberem pagamentos ilícitos.


Ao abolir as notas físicas de dinheiro e obrigar todos a adotarem uma criptomoeda estatal, seria impossível ter privacidade financeira. Todas as transações feitas por um indivíduo seriam registradas em uma blockchain (obviamente no controle do estado) e ficariam facilmente acessíveis podendo serem usadas contra os indivíduos. 

-Ahh, mas isso não diminuiria a corrupção?

Até certo ponto uma criptomoeda estatal sendo usada unicamente como moeda poderia dificultar a corrupção e lavagem de dinheiro, no entanto não tornaria impossível políticos continuarem sendo políticos.


CENSURA
Uma das práticas de censura mais amplamente usada atualmente é aquela que utiliza da dependência de sistemas bancários tradicionais para calar aqueles que vão contra os interesses da minoria política. Vide por exemplo o famoso caso do Daniel Fraga que falava contra o sistema. A justiça brasileira ordenou que todos os seus bens fossem penhorados de modo a puni-lo por conta do que falava em simples vídeos de YouTube.
No caso de uma criptomoeda estatal seria infinitamente mais fácil bloquear indivíduos e impedi-los de transacionarem o que acreditavam ser seu. Trata-se de um cenário muito distópico mas que sem dúvida se torna cada vez mais concreto. 

Poderia aqui entrarmos em questões de manipulação e em como os keynesianos ficariam felizes em inserir fórmulas de cálculos de inflação com muito mais facilidade, mas já julgo ser suficiente para incuti-los a red pill.
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