03/07/2019

BitChute - Uma plataforma de vídeos descentralizada

Um dos principais problemas quando há um serviço que funciona por meio de sistemas de monetização via publicidade é a censura. Inevitavelmente qualquer site ou negócio que dependa desse sistema baterá de frente com a lista de coisas que não poderá ser falado, tendo como consequência o banimento ou limite de alcance caso as ditas palavras forem mencionadas. Plataformas como Facebook e Youtube já deixaram bem claro em ocasiões passadas que não querem ter os seus nomes associados a coisas como (extrema direita, teorias das conspirações), entre outras coisas. 

Não podemos classificar essas empresas que tomam essas medidas como antiéticas por um motivo simples. As plataformas são delas e portanto podem escolher o que exatamente poderá ser publicado. Além do mais, quando estas dependem de terceiros para manter a receita advinda de publicidades é ainda mais preocupante o que os usuários publicam. Afinal de contas, ninguém quer ter o seu anúncio em conteúdos que fomentam o ódio, não é mesmo? Quem não lembra quando várias empresas boicotaram o YouTube há anos atrás quando tiveram anúncios atrelados a conteúdos tidos como impróprios? Bom, isso acontece e sempre acontecerá em sistemas que têm o modelo de monetização por meio de publicidade.

Como solução para o problema de censura inerente a essas plataformas, surgiu em 2017 o BitChute, que apesar de não ter um nome tão apresentável, é uma plataformas de vídeos online que carrega consigo a mesma tecnologia do BitTorrent e que já tida por muitos como o refúgio para nacionalistas, direitistas, e tudo que a grande mídia classifica como impróprio. 


O funcionamento do BitChute é igual ao de plataformas de vídeos já consolidadas, tendo como diferença apenas a forma como os vídeos são armazenados e distribuídos. Diferentemente da forma centralizada que já estamos familiarizados, o BitChute usa a tecnologia do WebTorrent como diferencial principal, o que torna a distribuição de vídeos de certa forma incensurável, uma vez que é muito improvável alguém conseguir derrubar um arquivo que esteja dentro da rede do BitTorrent - ao menos que este tenha o número de pares e semeadores reduzido a zero. 

Exatamente por esse motivo que o site virou uma espécie de refúgio para aqueles criadores de conteúdo que foram banidos de sites como o YouTube e Facebook, ambos têm um histórico de limitar o alcance daqueles que não tem o rabo preso com o politicamente correto.

FUNCIONAMENTO

O BitChute é acessível através do endereço a seguir: www.bitchute.com e para usá-lo, assim como o YouTube, não é necessário nenhum tipo de cadastro. Ao menos é claro se o usuário quiser se inscrever em algum canal ou publicar algum conteúdo na plataforma, o que precisará de apenas um endereço de E-mail.

Vale lembrar que por conta da forma descentralizada de armazenar os vídeos mediante a tecnologia do WebTorrent que é um cliente BitTorrent em JavaScript que funciona exclusivamente pelo navegador, o processamento dos vídeos é beeem mais demorado que no YouTube, por exemplo. Pelos testes que fiz, levou algo em torno de quarenta minutos para um vídeo simples de cinco minutos ser processado e tornar-se acessível dentro da plataforma.

E como a distribuição dos conteúdos são feitas em partes pela rede do Torrent, quando o usuário roda um vídeo dentro do site e tornar-se, portanto, um portador do arquivo, vira automaticamente um par que passa a semear as partes do vídeo já baixadas para os outros usuários que estejam assistindo o mesmo vídeo naquele momento.

Todo vídeo publicado no BitChute tem o seu respectivo endereço dentro da rede do Torrent, que fica logo abaixo do vídeo e que permite que quem quiser contribuir com um canal basta que copie o endereço magnet link e ajude a semear os vídeos através do cliente torrent que preferir. Isso é especialmente interessante por causar um maior engajamento entre os assinantes do canal.
Até o momento, não encontrei um único vídeo que não reproduzisse corretamente, o que me leva a pensar se existe a possibilidade do BitChute ter o seu próprio tracker e armazenar todos os vídeos publicados em servidores para evitar que os vídeos morram muito rapidamente sem semeadores. 

DESCENTRALIZADO?

Apesar de ser muito difícil derrubar um vídeo dentro do BitChute, mesmo que o mesmo tenha direitos autorais, vale ressaltar que eles ainda dependem de um domínio, e isso é uma brecha muito grande. Domínios são pontos centrais que podem ser facilmente derrubados por mandados judiciais e essa é um ponto fraco do BitChute.