31/07/2019

Um guia sobre como manter sua privacidade na internet


Antes de mais nada é importante entender que um indivíduo tem o devido direito de escolher o que os outros poderão ou não saber sobre a sua vida privada. Se a maioria concorda em abrir mão da sua liberdade de privacidade em troca de alguma praticidade não quer dizer que bisbilhotar o que todos fazem seja ético. Neste guia, apresentarei alguns pontos para aqueles que querem uma vida privada, privada. 

Sempre leia a política de privacidade

Pode parecer uma recomendação um pouco tosca, mas parando pra pensar não é. É justamente nos termos de privacidade que os serviços especificam exatamente como irão tratar os seus dados privados. Se você utiliza um serviço na internet, é entendido que você aceitou os termos do mesmo. Este trecho abaixo foi retirado da política de privacidade do Google:

As informações de atividades que coletamos podem incluir o seguinte:
  • termos que você pesquisa
  • vídeos que você assiste
  • visualizações e interações com conteúdo e anúncios
  • informações de voz e áudio quando você usa recursos de áudio
  • atividade de compra
  • pessoas com quem você se comunica ou compartilha conteúdo
  • atividades em sites e apps de terceiros que usam nossos serviços
  • histórico de navegação do Chrome
Resumindo em miúdos, o Google armazena e processa literalmente tudo que você entrega a ele. E não pense que eles são maus. Você aceitou isso quando clicou em aceitar os termos sem nem mesmo lê-los. 
Por enquanto, eles usam suas informações para melhorarem seus serviços e direcionarem publicidade para você com uma precisão milimétrica. No entanto o que impediria de compartilharem esses dados com agências governamentais? Aliás, é muito provável que já o façam.

Não use o Windows!

Existe há muito tempo um certo receio que exista um backdoor universal em todas as versões do Windows. Através dessa “porta dos fundos“, seria possível que a Microsoft e agentes que tenham conhecimento, invadir todos os computadores e equipamentos que rodam tal sistema operacional. Não é de se espantar quando descobrimos que exploits como o WannaCry foram em partes desenvolvido pela Agência de Segurança Nacional (NSA). 


Aproveitando-se desse provável backdoor, a NSA desenvolve ferramentas para espionar indivíduos que classificam como suspeitos. Porém, teoricamente, nada impediria de fazerem o mesmo com qualquer um. 

Perceba que utilizei as palavras (seria e provável). Existe um motivo para isso. O Windows tem código fonte fechado o que significa que não podemos saber o que de fato está rodando em background. Então não existe formas de taxativamente falar que existe tal backdoor, mas pelas evidências é muito provável que sim. O que fazer, então? 

Use Linux

Se você ainda tem aqueles famigerados preconceitos que Linux é coisa de Nerd e de caras que trabalham com TI, preciso te avisar que já faz muito tempo que o Linux vem se tornando cada dia mais mainstream. É muito provável que até a sua vó consiga usar distribuições como o Ubuntu e Linux Mint sem maiores dificuldades caso já esteja familiarizada com o ambiente desktop. 

Existe um argumento muito forte para você instalar o Linux hoje mesmo. Ele é Open Source. Isso quer dizer que todo o código do sistema é aberto e que qualquer um que entenda um pouco de programação pode lê-lo, linha por linha. As vantagens de sistemas Open Source em comparação com os de código fechado são inúmeras mas a principal é que você pode saber exatamente o que está rodando na sua máquina. Isso implica que é IMPOSSÍVEL existir backdoor em sistemas desse tipo pois qualquer um iria vê-lo. 

Se você é novato nesse assunto e quer se aventurar no mundo do Pinguim, recomendo que inicie com distribuições mais simples e práticas como o Ubuntu. Existem diversos tutoriais explicando minuciosamente como instalá-lo. Corre lá. 

Não use o Chrome!

Lembra da política de privacidade do Google que citei anteriormente? Eu lembro pra você:
  • histórico de navegação do Chrome
O Chrome nativamente envia dados de uso para o Google, e este processa essas informações de várias formas. De nada adianta você instalar o Linux e continuar usando um navegador que taca o foda-se para sua privacidade. 

E quando cito o Chrome também me refiro a todos os navegadores que carregam a base do chromium consigo. Ou seja, a grande maioria. Opera, Brave, Edge...

O Firefox, por outro lado, tem política de privacidade mais neutra e dá ao usuário a opção de escolher qual tipo de informações serão compartilhadas com a Monzilla. Portanto é uma boa alternativa à altura. Mas pra quem quer mais, existe opções como exemplo: Vivaldi, GNU IceCat, Pale Moon...

Use bloqueadores de rastreadores

  • atividades em sites e apps de terceiros que usam nossos serviços
Este trecho da política de privacidade do Google deixa claro que todos os sites e apps que utilizam seus serviços enviam dados para o Google. O Facebook faz isso, o Disqus faz isso e muitos outros também, através de rastreadores que são instalados em sites e afins. Através de tais rastreadores, empresas como a Google sabem os sites que você acessa mesmo se você não usar o navegador deles.

Felizmente, alguns navegadores já trazem bloqueio de rastreadores nativamente. E o Firefox é um exemplo desses. Porém, também existem extensões que fazem exatamente isso. Poderia citar a extensão do DuckDuckGo - que inclusive já escrevi sobre aqui no blog.

Criptografe suas informações

Temos a certeza que a criptografia veio para nos trazer de volta a opção de optar pela privacidade. Ao criptografar um documento, você tem a convicção que apenas você, detentor da chave para descriptografar, poderá ter acesso ao conteúdo. Então use e abuse da criptografia. Aqui no blog já escrevi alguns artigos que podem ser úteis. Eis alguns:
Inclusive se é prático pra você manter informações importantes em serviços seguros como o Google Drive, Onedrive, entre outros; criptografando todo o conteúdo você estará desfrutando de um serviço sem se preocupar de estarem usando seus dados para outros fins. Pra criptografar arquivos e deixá-los seguro na nuvem recomendo que use o ccrypt ou o gpg que já vem nativamente no Ubuntu - e que por sinal estou devendo um artigo.

Instale uma VPN

Usar uma VPN além de lhe dá privacidade de quebra ainda torna você anônimo dentro da rede. Isso ocorro porque a VPN atua como um intermediário entre você e os sites e serviços que acessa. Além disso, toda a sua conexão é criptografada impedindo que o seu provedor de acesso à internet saiba o que você anda fazendo na internet. Se você é de cidade pequena, inclusive, é particularmente interessante que use uma VPN pois impediria o provedor - geralmente com estrutura mais simples - de coletar seus dados ou de serem interceptados por terceiros. 

Existem muitas opções de VPN e é muito importante que estude minuciosamente cada uma antes de comprar alguma. As gratuitas nem devem ser consideradas, pois como bem sabe já existe almoço grátis. 


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Valeu pessoal, até a próxima!