19/08/2019

A falsidade das redes sociais

A água corrente escava por si mesma um canal que se torna mais largo e fundo; e enquanto mais tarde flui novamente e segue o mesmo caminho traçado por ela própria anteriormente. Do mesmo modo ocorre com as impressões externas que moldam, elas próprias, os caminhos mais recorrentes. Por muito tempo acreditava-se que o cérebro humano, como uma chapa de aço que após resfriada não se alterava, tinha uma versão que não mudava após atingida a idade adulta. A crença popular por muito tempo foi que externalidades não mudavam/ou se, muito pouco, o comportamento do homem.

No entanto, através da ciência e dos avanços nos estudos comportamentais, sobretudo a partir do século XX, ficou claro que o homem é como uma imensa folha em branco que ao longo da sua trajetória é rabiscada com um tipo de tinta removível que, se não reescrita, pode ser apagada para sempre e ter o lugar preenchido por outras experiências.

Tudo que nos rodeia, de alguma forma, direta ou indiretamente molda a forma como pensamos e agimos. A invenção da escrita, rádio, tv e, por último, Internet, mudou consideravelmente a forma como todos nos enxergamos o mundo à nossa volta. E uma dessas invenções, as Redes Sociais, está pela primeira vez na história moldando os indivíduos de uma forma nunca visto antes.

O homem sapins sendo um animal sociável e que vive em grupos tende sempre a buscar a aprovação dos outros participantes. O que as redes sociais, aparentemente, estão fazendo é transformar essa característica humana de aprovação a nível de grupo a um novo patamar. Percebe-se claramente que o usuário comum de rede social busca a todo momento que todos à sua volta aprovem as suas decisões. O resultado dessa busca irrefreável por aprovação é o que já estamos presenciando atualmente. 


Mesmo antes de inventarem o Facebook ou algo parecido, por centenas de anos as pessoas construíram para si mesmas uma identidade em suas mentes. E agora que dispomos de tecnologia como as redes sociais elas podem externalizar essa identidade que até então ficava limitada a suas cabeças. Isso torna muito difícil acreditar que aquilo que vemos de alguém em seus perfis seja genuinamente verdadeiro. 

E como em um ciclo perpétuo, os usuário vão espelhando-se nas outras identidades falsas até um ponto que fica ridículo para o observador que está vendo tudo aquilo do lado de fora. 

Eu diria que é muito difícil fazer um uso saudável das redes sociais sem ser contaminado com toda a falsidade e degeneração presente nesses lugares.