Uma gótica bizarra - Relato de sonho lúcido

Despertei dentro do meu quarto. Estava todo escuro. Mas apesar disso, percebi que havia alguma coisa sobre a cama que se movia. Aproximei-me um pouco mais. Subitamente, uma mulher pegou no meu rosto com as duas mãos e puxou-me para a cama. Porém, nesse movimento, fomos transportados para um ambiente totalmente diferente. Estávamos agora em um local igualmente escuro, mas muito mais amplo e sem nenhum móvel; muito semelhante a um salão de festas. (Neste momento percebi que estava sonhando).

A mulher continuava comigo, mas ainda não tive coragem de olhar nos seus olhos. A sua pele era muito branca e o seu cabelo era de um preto tão forte que por algum motivo consegui vê-lo estando naquele lugar. Lembrava muito o estilo gótico. Ficamos ali por um tempo até que ela começou a andar pelo salão tateando as paredes, aparentemente à procura de alguma saída. 

Nos sonhos lúcidos, as portas têm um poder magníficos. Elas fazem despertar no sonho mudanças de cenários totalmente desconexas. Acredito que por isso a mulher estava procurando uma, para sairmos daquele ambiente sombrio.

Até então ainda não havia ouvido a sua voz. Ficamos todo o momento em silêncio, como se conseguíssemos se comunicar sutilmente através dos pensamentos. De repente, ela encontrou algo na parede. Eu não conseguia ver nada mas os seus movimentos transmitiam segurança. Aproximei-me ainda mais e tive um susto ao ouvir a sua voz. 

- É uma maçaneta 

Todo o meu corpo estremeceu, apesar de saber que tudo aquilo não passava de um sonho lúcido. Então respondi. 

- Abre aí pra ver

Ela relutou. Neste momento, olhei nos seus olhos. Eram de um preto tão profundo que eu quase consegui ver as estrelas dentro deles. Puxou a maçaneta.

Uma luz forte entrou no ambiente que estávamos. Subitamente fomos para um outro lugar totalmente diferente, mas igualmente fechado. Neste novo cenário havia um espelho e uma cama com uma cobertura preta. O ambiente estava todo iluminado, permitindo que eu estudasse a mulher que estava ao meu lado. 

Vestia uma roupa toda preta, típico das góticas. Ela olhou pra mim novamente e neste momento pude perceber que os olhos dela não tinham aquela parte branca. Eles eram completamente pretos. Fiquei muito curioso com aquilo e então resolvi perguntar pra ela o porquê daquilo. 

- Se você deitar na cama e fechar os olhos vou falar tudo mas você tem que prometer que não vai olhar, disse, insinuando para eu que me aproximasse da cama. 

Não vi problema naquilo. Estava muito curioso para conhecer aquela mulher e por isso concordei em me deitar na cama. Fechei os olhos. 

Neste momento tive medo de perder o sonho. Geralmente quando fecho os olhos é isso que acontece. Então para evitar isso, resolvi abri-los.

O que vi na minha frente não me agradou nem um pouco. Ela estava olhando para o espelho e tirando a sua roupa.  Mas havia uma coisa diferente nela. Na realidade, ela não era ela digamos assim. Era um homem. Ou um híbrido, sei lá. De qualquer forma, continuei deitado ali e esperei o que aquela coisa iria fazer.

Quando tirou toda a roupa, veio até os pés da cama e começou a passar a mão suavemente pela minha perna. Neste momento o meu corpo inteiro tremer. Calafrios percorreram todo o meu corpo.

- Abre os olhos agora vai, Fábio

(sim, ela/ele me chamou de Fábio)

Obedeci. O que vi na minha frente foi complicado de descrever. O cara estava todo pelado e no lugar onde deveria tá o bilau do cara tinha um buraco que dava pra ver todas as suas vísceras. Continuei deitado na cama sem saber o que fazer quando de repente o cara soltou.

- Algum problema pra você? 

Pensei em falar um (não sei do que tu tá falando) mas o cara apontou para o buraco dele enquanto falava. Fiquei sem saber o que fazer, então cuspi.

- Isso daí vai cair, parceiro

E como em um passe de mágicas, puxei uma arma do meu bolso. Não sabia que ela estava ali, então fiquei impressionado quando a vi nas minhas mãos. Apontei-a para o cara e insinuei para que se afastasse da cama. Ele não se mexeu.

- Vai circulando, parceiro, falei apontando para a porta que estava aberta.

Ele continuou no mesmo lugar. Neste momento passou pela cabeça que tudo não passava de um sonho. Então, como em um reflexo súbito, puxei o gatilho sem piedade. O tiro que saiu acertou-lhe na face, que como em um cenário típico de filmes de zumbi, espedaçou-se como uma melancia.

Fiquei algum tempo contemplando aquele corpo deitado no chão do quarto. Em seguida, resolvi sair pela mesmo porta que entrei. Ao passar pela porta, voltei novamente para o meu quarto que continuava escuro. Aproximei-me da cama e desta vez o que estava nela era o meu próprio corpo. Eu me via deitado, dormindo na cama.

Admirando aquilo que estava vendo, percebi que eu iria acordar. Neste momento, fui puxado para dentro do meu corpo e acordei de verdade.



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