É possível derrubar a internet do mundo inteiro?

Desde a sua popularização na década de 1990, a internet a cada década que se passa se torna mais e mais enraizada nas nossas vidas diárias ao ponto que imaginar um cenário onde a internet puramente deixasse de funcionar torna-se difícil de conceber.  Mas afinal, é possível que a internet um dia deixe de existir? A resposta curta e simples para a pergunta é; NÃO. No entanto, a questão é mais complexa e será sobre isso que tentarei decorrer abaixo.


Antes de continuarmos, é importante entendermos o que é a internet. Em razão da sua virtualização, julgo que a maioria das pessoas têm dificuldade de imaginar o que acontece por trás das telas. Mas na realidade, a internet é todos os aparelhos que fazem parte da rede. Seu celular, computador, TV, etc.. são a internet! A internet, portanto, nada mais é que uma rede de aparelhos que se comunicam entre si através de protocolos uniformes. E o principal protocolo que faz toda a internet girar é o TCP/IP. Ele é o responsável pela comunicação entre os dispositivos, sem o qual não existiria a internet como conhecemos. 

Então para destruir a internet seria preciso destruir TODOS os aparelhos e estruturas que interligam os dispositivos entre si. Levando em consideração que nenhum país tem uma máquina capaz de gerar um pulso elétrico magnético capaz de torrar todos os dispositivos eletrônicos, acabar com a internet ou simplesmente derrubá-la por um curto período de tempo é praticamente impossível. Porém, a evolução natural ao longo do tempo tornou a rede muito vulnerável a ataques. Chegamos ao ponto que um punhado de empresas detém sozinhas boa parte do tráfego da rede. Tamanha centralização torna possível não derrubar toda a rede, mas torná-la inutilizável. 

Para entendermos como essa centralização ocorreu, é preciso voltarmos no tempo e começarmos por onde tudo começou, o DNS

O QUE É DNS? 

Nos primórdios da internet comunicar-se com outros computadores era uma tarefa muito mais complicada do que estamos familiarizados atualmente. Era preciso, primeiramente, ter em mãos o endereço IP da máquina com a qual queria se comunicar. O IP é um endereço que os computadores usam para se comunicar na rede. O problema é que esses endereços são muito grandes e para tornar a internet mais acessível ao público seria preciso encontrar uma forma de simplificar o processo. 

Imagine como seria trabalhoso memorizar todos os endereços IPs dos sites que você costuma acessar diariamente. A solução que encontraram para esse “problema“ foi o DNS. Reduzindo em miúdos, o DNS é o carinha que traduz os domínios para IP ou vice-versa. Em tese os computadores continuam trocando informações pelo IP, mas o DNS simplifica as nossas vidas dispensando que memorizemos os endereços ip dos sites. 

Ao invés de digitar na barra do seu navegador 172.217.15.196 para acessar o Google, você simplesmente digita www.google.com e o servidor DNS faz todo o resto e conecta a sua máquina ao servidor do site. Isso torna as coisas muito mais simples, certo? Sim! O problema é que o DNS torna a internet mais centralizada.

Agora ao invés de conectar-se diretamente com a máquina onde o site que você deseja acessar está hospedado, você precisa passar pelo servidor DNS que irá falar para o navegador onde o site está. Isso não seria um problema se houvessem muitos servidores DNS espalhados pelo mundo. Segundo a Wikipédia, atualmente existem apenas 13 servidores DNS raiz espalhados pelo globo. Dos 13, 10 estão nos Estados Unidos. 

Em teoria os caras que estão por trás desses servidores poderiam desligar a internet. Ao menos a internet como conhecemos. Porém eles não poderiam acabar com toda a estrutura. A rede continuaria funcionando, mas praticamente todos os sites ficariam inacessíveis. 

E essa não é a única forma de abalar a internet. A centralização trouxe muitas comodidades mas também muitas vulnerabilidades.

Se para você é muito improvável que alguém consiga derrubar ao menos uma parte dos servidores DNS espalhados pelo globo - e de fato, é muito improvável que isso alguma vez aconteça - existe uma outra forma de causar um impacto considerável na internet e certamente muito mais simples de ser feito. Para isso, seria preciso invadir servidores da Google. 

GOOGLE ANALYTICS

O Google Analytics é um script oferecido gratuitamente pela Google que oferece estatísticas sobre visitantes a sites, blogs e aplicativos. Ele é o serviço do gênero mais popular e segundo estatísticas está presente em mais de 29 milhões de páginas da web. Inclusive ele está rodando neste momento, enquanto você lê estas linhas. 

Os script têm uma particularidade bem peculiar. Eles podem falar para o navegador do usuário coisas a serem feitas ao abir um site. No caso do Script do Analytics, ele busca informações acerca dos visitantes. Informações, como: Localização, tempo da visita, navegador usado, sistema operacional, etc. Essas informações podem ser utilizadas para melhorarem o serviço oferecido ao cliente. Mas geralmente tais informações são usadas em conjunto com sistema de anúncios para torná-los mais sensíveis.

Em teoria, todas essas páginas que estão rodando o script da Google são dependentes da segurança da empresa. Caso os servidores fossem invadidos e tivessem acesso ao tal script, um atacante poderia tirar do ar todas as mais de 29 milhões de páginas que usam o script. Preocupante, não? Todo esse poder na mãos de uma única empresa.

Não há com o que se preocupar


Mesmo que governos tiranos ou instituições monopolistas tentem acabar com a internet sempre irão esbarrar na sua característica embrionária; a descentralização. E apesar de atualmente a internet ser muito centralizada nas mãos de pouquíssimas empresas, a sua natureza continua a mesma. Portanto não há o que temer. Enquanto existir dois ou mais aparelhos a internet existirá. 

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